Golpe do minidinossauro usa IA e pedido de Pix de R$ 500,00 reais.

Golpe do minidinossauro: homem quase perde R$ 500 após anúncio com IA em Minas Gerais.

Um homem de cerca de 40 anos, morador de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, quase perdeu R$ 500 em uma tentativa de golpe envolvendo a falsa venda de “mini dinossauros”. O anúncio apareceu nos status do WhatsApp e utilizava um vídeo produzido com inteligência artificial para apresentar os supostos animais. O interessado desconfiou antes de realizar o Pix e não teve prejuízo financeiro.

Um anúncio aparentemente impossível acabou se transformando em alerta sobre os riscos de conteúdos produzidos com inteligência artificial. Um homem de cerca de 40 anos quase caiu no chamado golpe do minidinossauro, em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte.

A oferta circulava pelos status do WhatsApp. O anúncio apresentava supostos “mini dinossauros” pelo valor de R$ 500 e utilizava um vídeo produzido com inteligência artificial para tentar dar credibilidade à venda.

Nas imagens, os supostos animais apareciam em um espaço semelhante a um criadouro, com recipientes de ração e água.

O caso ganhou repercussão depois que Vitor Monteiro, morador de Vespasiano, publicou a história nas redes sociais. Segundo o relato dado por ele à Itatiaia, o homem que recebeu a oferta é amigo de seu pai.

O interessado chegou a conversar com o responsável pelo anúncio e pediu mais imagens dos supostos animais.

No entanto, o anunciante condicionou o envio de novas fotos e vídeos ao pagamento antecipado de R$ 500 via Pix. Foi nesse momento que o homem começou a desconfiar da negociação.

Golpe do minidinossauro usou vídeo produzido com IA

O vídeo foi um dos principais elementos utilizados para tornar a oferta aparentemente convincente.

Segundo a apuração da Itatiaia, o conteúdo havia sido produzido com inteligência artificial. A reportagem também identificou no canto inferior direito da gravação uma marca d’água do Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google.

Além disso, o responsável pelo anúncio publicava capturas de supostas conversas com clientes que teriam comprado os animais e estariam satisfeitos.

Esse conjunto de elementos ajudou a dar aparência de legitimidade à oferta.

O interessado, então, procurou o pai de Vitor para saber se os animais poderiam realmente existir. Após analisar o material, ele identificou sinais de que as imagens haviam sido produzidas com inteligência artificial e recomendou que o pagamento não fosse realizado.

Suposto vendedor pediu R$ 500 antecipados via Pix

A tentativa avançou quando o homem demonstrou interesse e solicitou mais informações sobre os supostos animais.

De acordo com o relato publicado pela Itatiaia, o anunciante afirmou que só enviaria novas fotos e vídeos depois do pagamento de R$ 500 via Pix.

Além disso, o responsável pela oferta teria pressionado o interessado a concluir rapidamente a compra. Segundo Vitor, o anunciante dizia que algumas unidades já estavam reservadas e que outras vendas dependeriam de encomenda.

A estratégia de pressionar uma pessoa para que tome uma decisão financeira rapidamente merece atenção. O Banco Central orienta os usuários a desconfiarem de situações de urgência, pressão ou promessa de vantagem antes de realizar uma transferência.

Nesse caso, porém, a desconfiança surgiu antes da transferência.

O homem não realizou o Pix e, portanto, não perdeu os R$ 500.

Polícia Civil não encontrou ocorrência relacionada ao caso

A Itatiaia procurou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para saber se havia investigação sobre a suposta venda dos “mini dinossauros” e se outras pessoas poderiam ter sido vítimas.

Segundo a resposta fornecida pela instituição à reportagem, não foi possível localizar registro de ocorrência relacionado ao episódio.

A PCMG, entretanto, orientou pessoas que tenham sofrido prejuízos com golpes a registrarem a ocorrência em uma delegacia ou base da Polícia Militar próxima de sua residência.

A orientação está alinhada às recomendações nacionais para vítimas de fraudes financeiras. O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta quem sofreu golpe envolvendo Pix a procurar imediatamente a instituição financeira pelos canais oficiais e registrar boletim de ocorrência, reunindo mensagens, números utilizados, comprovantes, imagens e demais evidências.

Conclusão

O golpe do minidinossauro não provocou prejuízo financeiro ao homem de Vespasiano porque ele desconfiou antes de realizar o Pix.

O episódio, porém, demonstra como conteúdos produzidos com inteligência artificial podem aparecer em tentativas de fraude acompanhados de outros elementos destinados a dar aparência de legitimidade a uma oferta.

Por isso, imagens e vídeos aparentemente convincentes não devem ser considerados, isoladamente, como prova de que um produto, vendedor ou oferta realmente existe.

Como evitar esse tipo de golpe

Antes de fazer um Pix para uma compra encontrada em aplicativos de mensagens ou redes sociais, verifique a identidade do vendedor e a existência real do produto.

Também é importante desconfiar quando o vendedor exige pagamento antecipado para fornecer informações básicas, imagens ou vídeos do item anunciado.

Além disso, não tome uma decisão financeira apenas porque fotos, vídeos ou supostos depoimentos de clientes parecem verdadeiros. Conteúdos digitais podem ser produzidos ou manipulados.

Desconfie também de pressão para pagar imediatamente. O Banco Central recomenda atenção diante de situações que envolvem urgência ou pressão para concluir uma transação.

Caso o Pix já tenha sido realizado e haja suspeita de golpe, o Banco Central orienta o usuário a procurar imediatamente sua instituição financeira e contestar a transação para tentar acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). O mecanismo não garante a recuperação do dinheiro, pois a devolução depende da análise e da disponibilidade de recursos.

Também é recomendável registrar boletim de ocorrência e preservar as provas da negociação.

Autor: Maxwell Iure, possui certificacões em cibersegurança e redes de computadores, com foco na conformidade com normas de proteção de dados. Graduado em Direito pela Una e pós-graduando em Direito Digital.

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